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Castlevania: Lords of Shadow 2

Castlevania: Lords of Shadow 2 - Hands-On

Depois de Lords of Shadow, será que é justo questionar a capacidade da produtora Mercury Steam?

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Os espanhóis da Mercury Steam desiludiram com Clive Barker's Jericho, mas compensaram com Castlevania: Lords of Shadow. É verdade que o jogo tinha as suas falhas, mas também se destacou com um estilo visual fabuloso e um sistema de combate robusto, suficientes para convencer os fãs desconfiados de mais um Castlevania em 3D.

Agora que já todos reconhecemos o valor da Mercury Steam, o que podemos esperar da sequela, além de sabermos que é o capítulo final da trilogia (o segundo foi Castlevania: Lords of Shadow - Mirror of Fate para 3DS)? Alguns ingredientes do original vão manter-se, mas a fórmula foi alterada. Ainda existe um sistema de combate robusto e muita exploração, mas tudo foi aumentado e alterado. Logo nas horas iniciais, que jogámos, percebemos que a escala é muito maior, ao contrário dos ambientes confinados do original. E parece-nos que ainda não vimos nada.

Para este último capítulo a Mercury Steam foi buscar clara inspiração a Symphony of the Night, um dos jogos da série mais adorados pelos fãs. Até existe uma linha de diálogo transportada diretamente desse jogo, para cimentar ainda mais a ligação entre os dois títulos.

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Tal como o original, a inspiração noutros títulos é evidente, mas a sua reimaginação de um mundo explorável e interligado é genuinamente diferente. Até existe um certo piscar de olho ao castelo duplo de Symphony of the Night, aqui representando como uma viagem no tempo. Como o final do primeiro jogo já tinha indicado, Lords of Shadow 2 decorre no passado e no presente. Pelo que nos foi dito e pelo que experimentámos, os jogadores terão de alternar entre as duas eras dentro do castelo. Existem pontos específicos que indicam a necessidade de mudarem entre passado e presente para acederem a novas áreas e desbloquearem caminhos alternativos.

No final do primeiro jogo foi possível ver uma cidade moderna, e isso não foi esquecido pela Mercury Steam. Aparentemente uma grande parte da cidade foi construída com as fundações do castelo como base. Mas não é um jogo de mundo aberto.

As áreas são antes compostas por corredores paralelos, não são zonas totalmente abertas. Existem algumas áreas um pouco mais amplas, com muitos segredos para descobrirem e objetivos secundários para cumprir, mas nada realmente aberto. É um conceito que proporciona a ilusão de um mundo vivo e grande, mas que mantém a jogabilidade - como manda a tradição - confinada às paredes de uma só estrutura.

Na secção inicial que jogámos foi fácil distrairmos-nos com os cenários. Estávamos numa cave, rodeados de jatos de lava, estalagmites navegáveis, maquinaria da era dos Titãs e uma multitude de plataformas e caminhos. Mas demorámos alguns minutos até percebermos para onde devíamos ir; o novo elemento 3D (o anterior era muito mais linear, com ângulos de câmara fixos) torna a orientação um pouco mais complicada. Mas os clássicos da série também o eram, até decorarmos à força os corredores labirínticos dos castelos. É uma abordagem diferente do original, mas continua familiar na série.

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O mesmo pode ser dito sobre o combate, imediatamente testado na sequência épica que abre o jogo. Gabriel - agora o Drácula - tem de derrotar um exército que tenta conquistar o seu castelo no passado. Trepar e combater às costas de um Titã logo nos primeiros quinze minutos de jogo é um início promissor e o primeiro Boss que surge de seguida só reforça o nosso optimismo. É uma batalha furiosa contra um guerreiro equipado com uma magnífica armadura dourada e asas. Serão testados de imediato com uma série de rotinas de ataques que vos vão obrigar a adaptarem-se rapidamente ao sistema e aos contra-ataques. Quando finalmente o derrotámos, os nossos dedos tremiam e a testa já transpirava. Foi fantástico. As duas batalhas de Boss que se seguem e até vários confrontos com múltiplos inimigos, revelam de que isto não se trata de um pico de dificuldade, mas algo constante ao longo do jogo.

A Mercury Steam desenvolveu bastante o sistema original de combate. Cumprindo com a tradição da série, terão de reclamar os poderes de volta, o que forma a essência da primeira linha de missões. Eventualmente, contudo, estarão a dividir o vosso tempo entre a Void Sword, as Chaos Claws e o tradicional chicote. Cada arma tem o seu próprio sistema de progressão independente, alimentandos por pontos de experiência. Além das armas, cada combinação de golpes melhora com o uso repetido. Espreitámos para uma lista de todas as combinações e ficámos impressionados com o potencial presente.

Se existe alguma queixa, prende-se com a câmara. A produtora prometeu que nunca será necessário mover a câmara, se não o desejarem, mas existiram alguns momentos durante os combates onde fomos obrigados a corrigir a câmara manualmente, sobretudo perto de paredes. Esperemos que seja um detalhe que possa ser corrigido durante as semanas que antecedem o lançamento.

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Embora a procura pelos poderes do Drácula seja uma boa forma de justificar uma visita pelo castelo (e encontrar algumas figuras icónicas da série que poderão reconhecer), também implica uma seríe de sequências de ação furtiva, logo após aquele arranque bombástico. Considerando que Hideo Kojima esteve ligado ao primeiro jogo, perguntamo-nos se isto não será uma referência - ou até uma paródia - a Metal Gear Solid (o primeiro também tem uma referência escondida).

Só jogámos alguns momentos destas secções, que decorrem no presente logo após Drácula despertar. Isto impõe um ritmo muito diferente na jogabilidade, enquanto se transformam num rato para evitar a atenção de guardas ou possuem cientistas para entrar em áreas restritas. Será que isto marca o passo para as secções no presente ou é simplesmente algo passageiro?

"Então mas espera aí, quando é que o Gabriel se tornou no Drácula? E o que aconteceu em Mirror of Fate?" Felizmente, a Mercury Steam vai fazer um resumo disso tudo e dos DLC do original (a origem do Drácula) através de desenhos narrados, reconstruindo a lenda por trás do confronto eterno entre os Belmont e Drácula.

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Mas se Gabriel - agora Drácula - é o protagonista, não é necessariamente o herói. Durante uma sequência no presente terão de se alimentar numa família inteira para recuperar forças, um momento horrível e jogado na primeira pessoa. É difícil simpatizar com o herói do original, que entretanto parece ter perdido todo o seu sentido de justiça e honra. Mas se Gabriel não é o herói, também não é o vilão. É antes o mal menor e necessário, comparando com o verdadeiro vilão - o próprio Satanás está de regresso.

É um conceito interessante, que parece formar um dos títulos de aventura mais interessantes que vimos nos últimos tempos, alimentado por um sistema de combate fantástico. Estamos muito curiosos para ver que mais tem a Mercury Steam escondido na manga.

Castlevania: Lords of Shadow 2 chega dia 28 de fevereiro para PC, PS3 e Xbox 360.

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