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Danganronpa V3: Killing Harmony

Danganronpa V3: Killing Harmony

Ainda mais macabro e excêntrico do que o habitual.

Danganronpa tem estado algo quieto nos últimos anos. Sim, em 2016 saiu uma nova série de animação, e recentemente foi lançada uma coleção no ocidente com os dois primeiros jogos, mas a Spike Chunsoft não lançava um novo título real da saga desde 2012. Mas como se diz, "não há fome que não dê em fartura", e é exatamente isso que se passa com Danganronpa V3: Killing Harmony, um jogo recheado de conteúdo e caras conhecidas, além de algumas vítimas... colegas de aulas novos para conhecermos.

Para vos oferecermos um pouco de contexto, todos os jogos da saga giram em torno do "Killing Game", onde um ursinho maléfico chamado Monokuma aprisiona estudantes numa escola. Para saírem vivos, estes estudantes têm de matar um colega sem serem descobertos. Ao jogador cabe o papel de investigar, até ocorrer um julgamento. Danganronpa V3 segue exatamente o mesmo modelo, dividindo a estrutura de jogo entre o dia-a-dia (para avançarem a estória e criarem relações com as personagens), investigações de homicídios, e o tal julgamento de que falamos em cima.

A série é também conhecida pela variedade das personagens, e no caso de Danganronpa V3, estamos a falar possivelmente do elenco mais excêntrico da saga. O jogo retém o humor e o charme que caracterizaram a série, mas existe aqui mais conteúdo bizarro e sinistro do que nos títulos anteriores. Para um conceito que se baseia tanto na diferença entre esperança e desespero, a balança deste último jogo parece cair claramente para o segundo, sobretudo considerando o fantástico final da aventura (que não será do agrado de todos).

Uma das maiores diferenças para os jogos anteriores está no grafismo. Em termos de formato, funciona exatamente da mesma maneira, com personagens 2D num cenário 3D, mas o estilo do jogo foi claramente mais trabalhado. A interface está banhada numa luz florescente, e as frases surgem como se estivessem numa banda desenhada, um pouco como acontece também em Persona 5. Como é natural, tudo tem também um aspeto mais definido e polido.

Como se trata de um jogo onde a estória é praticamente tudo, não podemos revelar mais pormenores sem estragarmos surpresas. Podemos no entanto repetir o que o próprio produtor, Kazutaka Kodaka, já revelou publicamente, como o maior foco no que é verdade ou mentira - e até podem usar perjúrio nos testes. É um conceito interessante, sobretudo quando 'torcem' a verdade para proteger alguém ou perseguir uma pista, mas pareceu-nos pouco utilizando na contagem global do jogo. Ainda assim, é algo que acrescenta alguma dinâmica aos julgamentos, já que a falta de provas nem sempre implica um beco sem saída.

Outra novidade é a opção para investigar certos objetos no cenário que deixam moedas, moedas necessárias para comprarem presentes para as outras personagens. Também vão descobrir todo um novo sistema de mini-jogos, como o Psyche Taxi, onde guiam um carro de forma semelhante a Logic Dive no segundo jogo, e Mind Mine, onde devem desbloquear blocos numa grelha para descobrirem pistas adicionais. O Hangaman's Gambit também foi alterado, obrigando a preencher as letras de pista com visibilidade limitada.

Além destes mini-jogos, existem outros elementos do julgamento que são novos. O Debate Scrum, por exemplo, separa a classe em dois durante o debate, e o jogador tem depois de ligar frases chave aos tópicos que estão a ser debatidos. E ainda existem os Mass Panic Debates, onde três personagens falam ao mesmo tempo, dificultando a tarefa do jogador para descobrir pontos fracos no seu argumento.

Todas estas pequenas novidades e ajustes funcionam em conjunto para refrescarem a experiência de jogo. Apenas um elemento nos pareceu algo desnecessário - o Reaction Voice. Enquanto estão a conversar com alguém, podem interagir com uma roda de diálogos com o analógico direito, permitindo escolher uma reação positiva ou negativa. O problema é que isto não tem qualquer impacto real, é apenas uma curiosidade que o jogador pode usar.

Não sabemos ao certo quantas horas passámos com Danganronpa V3: Killing Harmony, mas foram certamente mais de 20. Embora a esmagadora maioria do nosso tempo tenha sido bem passado, existem alguns momentos que se arrastam excessivamente, como os segmentos com as crianças de Monokuma, que se tornaram repetitivos em pouco tempo. Um pequeno defeito, mas mais uma vez, é algo menor no que é maioritariamente uma experiência fantástica. Foi uma longa espera por um novo capítulo da saga, mas Danganronpa V3 é um regresso digno da série, e se apreciam o género e a saga, vão passar aqui muitas e boas horas.

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09 Gamereactor Portugal
9 / 10
+
Personagens variadas e excêntricas. Tom sombrio e macabro. Estilo visual. Muito conteúdo.
-
Final não vai agradar a todos. Alguns momentos arrastam-se demasiado.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor

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