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Victor Vran

Doug Cockle: De Witcher a Victor Vran

Conversámos com o ator responsável pela voz inconfundível de Geralt de Rivia.

Se jogaram os títulos da trilogia TheWitcher, então é provável que já conheçam bem a voz de Doug Cockle. O ator norte-americano é sobretudo conhecido por ter criado a voz distinta do protagonista Geralt of Rivia, mas também emprestou a sua voz a outro caçador de demónios, Victor Vran. O RPG de ação da Haemimont Games será lançado para Nintendo Switch a 28 de agosto, depois de ter chegado ao PC em 2015, e a PS4 e Xbox One em 2017, e para promover a nova versão, a editora Wired Productions tornou possível esta entrevista com o próprio Doug, que podem ver em baixo.

Gamereactor: Victor Vran será lançado em breve para Nintendo Switch. O que podem os jogadores esperar desta nova versão?
Doug Cockle: Bem, vão receber toda a experiência de Victor Vran, incluindo as duas expansões, Motorhead Through the Ages e Fractured Worlds. Também será possível jogar Victor Vran em modo local para dois jogadores, e online para quatro, além da vantagem da portabilidade, que permitirá levar Victor Vran convosco pela primeira vez.

O que trouxe de específico para a personagem de Victor Vran? Teve liberdade para ajudar a moldar a sua personalidade?
Apenas na forma como a sua voz distingue a personagem. Eu nunca conversei com a Wired Productions sobre isto, mas eu presumi que, até certo ponto, queriam uma qualidade na voz de Victor que fosse semelhante à de outras personagens que eu representei, nomeadamente Geralt, a personagem do anti-herói relutante. Quando gravámos Victor Vran pela primeira vez, queria distingui-lo um pouco das minhas outras personagens, e se o ouvirem lado a lado com Geralt, vão perceber uma pequena diferença. Quanto ao que trouxe à personagem... pode parecer cliché, mas trouxe um pouco de mim próprio.

Como ator, eu acredito que nos devemos usar a nós próprios, o que sabemos, o que aprendemos na vida, os livros que lemos, outras personagens que interpretámos, o que vimos... tudo o que eu já experienciei é de certa forma usado na forma como dou a voz a uma personagem. Depois disso há também o guião, e saber interpretar o que está escrito nas páginas. Fora isso, tento colocar-me nos pés da personagem, neste caso, tento pensar no que faria se fosse um caçador de demónios.

Existem várias semelhanças entre Victor Vran e Geralt... o que aconteceria se lutassem?
Bem, para começar, seria uma luta épica! Não seria como ver algo como o Inglaterra - Panamá [jogo de futebol que acabou 6-1], em que bem cedo deu para perceber em que direção ia a vitória. Penso que ambos teriam bons momentos durante o combate, mas não sei quem seria o vencedor. Provavelmente até se dariam bem, e sentavam-se a beber e a partilhar estórias.

A expansão Motorhead Through the Ages é muito peculiar, já que não existe muito conteúdo de jogos tão fortemente inspirados por uma banda real. Como aconteceu esta parceria?
Tom Sargent, da Wired, pediu para responder esta questão: Bem, o produtor do jogo, Achim Heidelauf, era um amigo de longa data de Lemmy [vocalista], e já conhecia a banda há muitos anos. Na altura os produtores procuravam uma música para colocarem no jogo, e os Motorhead encaixavam bem no tema que queriam. Achim pediu então permissão a Lemmy, mas este quis levar essa parceria ainda mais longe. No conceito original, Lemmy teria um papel muito mais importante na expansão, mas como acabou por falecer no final de 2015, tivemos de mudar os planos, e Through the Ages acabou por ser tornar numa espécie de tributo.

Tanto Victor Vran, como The Witcher, são mundos muito sombrios e adultos, com elementos sobrenaturais. São estes os tipos de mundos que o atraem, ou é uma coincidência?
Penso que é sobretudo uma coincidência, ou talvez achem que eu encaixo bem no tipo do anti-herói rabugento. Estas personagens tendem a viver em mundos parecidos, ou pelo menos, em circunstâncias semelhantes. Em termos de preferências pessoais, eu sempre adorei fantasia, e cresci praticamente a ler O Hobbit, e O Senhor dos Anéis, ou a ver filmes como Conan: O Bárbaro. Sempre adorei mundos que misturassem fantasia, feitiçaria, e espadas.

Enquanto The Witcher é um RPG massivo, muito focado na narrativa, Victor Vran é um RPG de ação, onde a jogabilidade é o destaque. Como isso acabou por mudar o processo ou a abordagem?
O processo em si é semelhante - ficar parado em frente a um microfone a dizer falas -, mas os guiões são naturalmente muito diferentes. O The Wticher tem uma narrativa muito forte, e a própria jogabilidade é um complemento para essa narrativa, e para a viagem de Geralt. Em Victor Vran, a jogabilidade em si é o mais importante, e na minha opinião, a estória acaba por estar lá para ajudar a manter o interesse do jogador. Se tudo o que se fizesse fosse matar demónios discriminadamente, tornasse-ia aborrecido rapidamente. Assim, vão recebendo diferentes objetivos, vão conhecendo personagens novas, e motivações para estarem onde estão. Quase todos os jogos precisam de um contexto, até o Mario original, que tinha o objetivo de procurar e salvar a princesa.

Vai voltar a interpretar Victor Vran?
Eu espero que sim! Espero que a Haemimont Games e a Wired Productions decidam continuar a saga, mesmo que não tenha a certeza de como vão superar Motorhead: Through the Ages, que de certa forma faz parte da estória oficial. Tom: Trough the Ages é uma aventura paralela de Victor Vran, uma expansão massiva com três mundos inspirados pela banda, mas é a sua própria estória, e não interfere com a continuidade de Victor Vran.

Para Soul Calibur VI, voltou a representar Geralt. Como apareceu esse processo?
O engraçado de fazer Soul Calibur VI, foi o processo muito peculiar de gravação. Basicamente estava eu e um diretor aqui em Londres, um diretor e um tradutor em Los Angeles, e os produtores japoneses algures no Japão. Éramos cerca de 10 pessoas a trabalhar em conjunto, com fusos horários muitos diferentes. Podia ter sido uma enorme confusão, mas acabou por correr bastante bem.

É uma pena que Victor não esteja em Soul Calibur VI, poderíamos ter o combate de que já falámos...
Penso que o Victor seria uma excelente personagem de Soul Calibur! Eu adoro as duas personagens, mas enquanto o Geralt vive num mundo onde só tem acesso a armas mais convencionais, o Victor acaba por ter um armamento mais amplo, incluindo lança-granadas (tem outro nome no jogo), armas de raios, espadas, e martelos enormes. Adoro que o Victor tenha um leque de armas tão amplo.

E quanto a Geralt... vai voltar a interpretá-lo?
Posso dizer que não faço ideia se vão fazer o Witcher 4, mas eu acredito que sim. Esta é a minha opinião, e a CD Projekt Red sabe perfeitamente o que está a fazer, e eu não faço ideia de qual é o seu plano, mas... se eu fosse a CD Projekt Red, eu faria o Witcher 4, e seria focado na Ciri. No The Witcher 3 ela refere que visitou outros mundos (incluindo o de Cyberpunk 2077!), e penso que um jogo sobre ela visitar esses mundos diferentes seria um fantástico Witcher 4.

Sabemos que joga Victor Vran e The Witcher... como é ouvir a sua própria voz enquanto joga?
É um pouco estranho... sobretudo porque tendo a ser muito crítico do meu desempenho. Já acabei o Witcher 3, e neste momento estou a jogar Victor Vran, e é um pouco estranho. Em algumas cenas começo a ouvir a minha voz e penso que poderia ter feito melhor, mas isso não aconteceu sempre. Felizmente, na maior parte do tempo consigo abstrair-me disso e ficar imerso na estória e na jogabilidade.

Foi esta a nova conversa com Doug Cockle. Podem ouvi-lo em Victor Vran: Overkill Edition que será lançado para Nintendo Switch a 28 de agosto, com o jogo completo e as duas expansões, Motorhead Through the Ages e Fractured Worlds.

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