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Kingdom

Kingdom

Não precisámos de trocar o reino por um cavalo neste jogo viciante da Noio.

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"Sem Coroa, Sem Rei". Traduzido do inglês, esta é a mensagem que surge no ecrã de Game Over de Kingdom, quase que provocando o jogador pelo seu falhanço. E não é para menos, porque este jogo de gestão e construção, com elementos de Tower Defense e Roguelike, tem muito que se lhe diga. Não vão aprender lições fáceis em Kingdom, a não ser que façam batota e vejam vídeos de outros jogadores.

Kingdom surge como uma mistura muito peculiar de elementos, que começou como um jogo para Browsers de internet. A Noio foi a criadora original, mas foi a Raw Fury Games que apareceu em cena para ajudar a aperfeiçoar Kingdom, moldando-o para um jogo do Steam e Xbox One. Vão encarnar um rei, ou uma rainha (o sexo é definido aleatoriamente pelo jogo), que cavalga pelo cenário a recolher e a gastar moedas. De forma muito resumida, esta é a premissa de Kingdom, mas são as decisões que tomam na hora de gastar o dinheiro que vos irão puxar para um jogo que esconde muita profundidade para lá da simples premissa. Vão precisar de proteger o vosso reino dos horrores que surgem durante a noite, e isso envolve duas tarefas.

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Primeiro têm de estabelecer uma economia sólida e defesas ainda melhores, na forma de paredes e torres (de preferência com arqueiros bem posicionados). Mais tarde, com o avançar do jogo, existe uma componente mais ofensiva, mas é o tipo de situação que pode entrar no campos dos Spoilers, por isso não vamos pormenorizar. A exploração e a descoberta em Kingdom são peças-chave da experiência, e existem alguns elementos que não são explicados por bons motivos.

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Para melhorarem a vossa economia podem matar animais (coelhos e veados) e construir quintas. A primeira é a forma mais rápida de ganhar dinheiro - basta manter alguns arqueiros a circular as estradas -, mas isto só será suficiente para os momentos iniciais. Mais tarde, para realmente ganharem poder económico, têm de investir em quintas e agricultores.

Para recrutarem novos cidadãos para o reino terão de visitar os campos, e cada campo gera dois indivíduos por dia. Larguem as moedas, e eles irão caminhar sozinhos para o castelo e apanhar a ferramenta da sua profissão (construtor, arqueiro ou agricultor). Nos cantos do mundo de jogo vão encontrar outros pontos de interesse. Existem estátuas que podem ativar a troco de dinheiro, e que conferem vantagens preciosas, baús, e portais que os inimigos usam para aparecerem durante a noite. A sobrevivência é o objetivo principal, mas tecnicamente existe uma forma de terminar o jogo.

Kingdom é um jogo de controlo indireto, o que significa que nunca vão participar realmente em combates. Serão os arqueiros a batalhar os monstros que surgem através dos portais durante a noite, e existem vários tipos de inimigos para enfrentarem, incluindo voadores. Com o passar do tempo os ataques dos monstros tornam-se cada vez mais ferozes e intensos, e a cada cinco noites dá-se a lua vermelha, com inimigos ainda mais violentos e em maior número.

Um dos aspetos peculiares de Kingdom, comparando com outros jogos de gestão, é o facto de funcionar com uma perspetiva lateral, quase como um jogo clássico de plataformas. Em termos práticos isto significa que têm de navegar um avatar pelo reino, e isso traduz-se numa importância redobrada para a distância que têm de percorrer. É uma mecânica que traz implicações ao nível de recompensa e risco, enquanto tentam expandir o reino, possivelmente deixando outras áreas sem gestão.

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Kingdom emprega uma formulação aleatória do mapa sempre que começam a aventura, e isso pode ter implicações na experiência de jogo. Podem ter sorte com a disposição dos recursos, ou muito azar. Chegámos a calhar em mapas onde alguns recursos estavam além dos portais, o que nos obrigou a arriscar ainda mais do que seria exigível. Por vezes recebemos uma quinta muito próxima do centro do reino, enquanto que noutras ocasiões tivemos de sacrificar um campo de geração de unidades para ter uma quinta por perto. São decisões difíceis, porque embora básicos, o dinheiro e as pessoas são os recursos mais valiosos de Kingdom.

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Existem algumas falhas em Kingdom. O comportamento da inteligência artificial pode ser imprevisível (e não num bom sentido), e também encontrámos algumas falhas técnicas. O jogo ainda inclui algumas decisões de design um pouco estranhas, como as catapultas, que causam muito mais dano se tiverem um construtor por perto. O mais estranho é que não é assim tão claro o posicionamento das unidades.

Outro problema está relacionado com os eventos da lua vermelha, que podem ser demasiado implacáveis. Se sobreviverem à justa, é praticamente impossível recuperar a tempo das próximas investidas, porque estarão demasiado fracos. Devia existir uma forma de aumentar as defesas em detrimento do crescimento, para dar tempo ao jogador de recuperar.

Gostámos do tempo que passámos com Kindgom (mais do que deveríamos, mas o jogo é mesmo viciante). O grafismo pixelizado é encantador, o trabalho sonoro está impecável, e a jogabilidade cumpre os propósitos peculiares da experiência. É um jogo bastante viciante, que ainda pode ser melhorado com a introdução de algumas atualizações menores.

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08 Gamereactor Portugal
8 / 10
+
Extremamente viciante. Têm de tomar várias decisões interessantes. Profundidade surpreendente. Bons efeitos sonoros.
-
Alguns problemas técnicos. Inclui decisões de design... estranhas.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor

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ANÁLISE. Escrito por Bengt Lemne

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