Português
Gamereactor
análises
Penny Punching Princess

Penny Punching Princess

Fortuna ou morte.

Dizem que é o dinheiro que faz o mundo andar à roda. Afinal de contas, o capitalismo é algo com que estamos muito familiarizados e foi sempre um ponto de destaque ao longo do século passado. E agora chegou mais uma vez aos videojogos, desta vez através de Penny Punching Princess, da Nippon Ichi Software: um jogo sobre dinheiro, lucro, subornos e tudo o que estiver relacionado com a massa, o carcanhol, o guito... a lista continua.

Se esta introdução vos deixou à espera de um jogo que sirva de crítica a esta ideologia tão divisória, lamentamos informar-vos que não é esse o caso. Por muito que Penny Punching Princess anuncie ter o capitalismo como tema central, na verdade é sobre a prática de espancar as pessoas a troco de dinheiro: trata-se de um jogo de luta arcade com um enfoque na unidade monetária.

Penny Punching Princess segue a história de uma princesa anónima que costumava ser gentil e simpática, mas devido às dívidas acumuladas pelo seu pai, ela perdeu não só a sua família, como também o seu país, o que a transformou numa espécie de monstro impiedoso e decidido a espancar os agiotas que emprestaram dinheiro à família Dragolean. Ah, e por algum motivo existe um escaravelho chamado Sebastian que serve a princesa e cujo propósito é (tanto quanto sabemos) fazer piadas e explicar o que se passa na história.

Falamos em história, mas na verdade é um fio muito solto que serve apenas para manter os eventos em curso. Não esperem prémios narrativos; os diálogos decorrem na forma de texto no ecrã e, tirando uma gargalhada ou outra, na maior parte considerámos as personagens e os diálogos insípidos e até optámos por ignorá-los a partir de certa altura.

Na verdade, o combate é o prato forte. Jogámos na Switch, onde os controlos básicos eram Y para um soco fraco, B para esquivar e A para um soco forte. Depois temos os extras. Com uma barra de poder recarregável, podem usar ZR para ativar várias habilidades e com o ZL (ligado a outra barra de poder) podem usar o poder da calculadora. Sim, leram bem, e de facto a calculadora é um dos sistemas mais importantes do jogo.

É aqui que as coisas se tornam mais complexas, mas vamos tentar simplificá-las. Ao manterem pressionado ZL, a calculadora surge no ecrã, e com os botões de direções podem inserir valores numéricos dentro do dinheiro que possuem, altura em que é possível investir em vários poderes especiais que mudam de potência de acordo com o dinheiro despendido. Mas isto não é tudo o que podem fazer com a calculadora. Desde que o número permaneça a zero na calculadora e não primam nenhum botão, podem manter pressionado ZR após manter ZL para selecionar e subornar inimigos e/ou armadilhas no ecrã. Depois disso, basta premirem X para os usarem como vos aprouver.

Penny Punching Princess

Como já devem ter percebido, existem muitos botões diferentes e o sistema rapidamente se torna algo trapalhão, e este é exatamente o maior problema de Penny Punching Princess. Já é complicado o suficiente lidar com os princípios básicos (especialmente visto que é fácil selecionar acidentalmente um botão da calculadora quando tentamos efetuar um suborno, o que significa que deixa de funcionar), mas se juntarmos a isto o facto do jogo não parar quando usamos a calculadora, cedo se torna um pesadelo correr de um lado para o outro a evitar inimigos enquanto mantemos premidos três botões diferentes e tentamos selecionar quem queremos subornar ou inserir a quantia certa na calculadora.

Isto é uma pena porque a mecânica de suborno, em particular, é divertida de usar. Começámos por pensar em evitá-la para poupar dinheiro, mas na verdade é algo que temos de usar por dois motivos: mantém os inimigos longe e causa mais danos que os nossos ataques básicos. Também é muito divertido experimentar os diferentes tipos de subornos, seja para dar uso a uma armadilha no soalho para despachar um grupo de inimigos ou para subornar um grande dragão a desferir os seus poderosos ataques.

Os subornos têm outra utilidade, já que permitem recrutar pessoas para o nosso reino. Isto não é algo tão complexo como em Ni no Kuni II ou jogos semelhantes, mas para criarem determinadas coisas precisam de subornar diferentes personagens e armadilhas (e acreditem que precisam de toda a armadura que conseguirem). Tudo isto é feito no vosso reino entre os níveis, altura em que também podem examinar os inimigos, melhorar as vossas capacidades, criar itens e assistir a tutoriais. O jogo não tem grandes elementos de RPG, mas estas mecânicas oferecem algum sentido de progressão.

A ação em si será familiar para os fãs de jogos de estilo arcade. Exploramos cada nível até chegarmos ao final, altura em que defrontamos um boss. Dentro destes níveis temos zonas que, ao entrarmos, encerram as saídas e fazem surgir montes de inimigos, desde esqueletos a cebolas e dragões. A ação é rápida e furiosa e podem esquivar-se e rebolar para tornar tudo ainda mais frenético.

O foco está, obviamente, no dinheiro, mas não é apenas ao derrotar os adversários que são recompensados. Quando estiverem prestes a derrotar um inimigo, têm um curto espaço de tempo para rodar o manípulo direito e abanar o adversário para lhe sacudir todas as moedas que transporta consigo. Esta é uma mecânica compensadora e se optarem por usá-la sempre que possível terão dinheiro mais que suficiente no banco para subornar os inimigos com regularidade e aumentar assim as vossas hipóteses de sobrevivência.

No global, depois do mundo inaugural e da ação subir de ritmo, os controlos trapalhões poderão prejudicar a capacidade de diversão de muitos jogadores. Quando o jogo funciona, é divertido abrir caminho por entre estes níveis coloridos e muito variados, mas o uso da calculadora pode rapidamente tornar-se frustrante, em especial quando existem 10 inimigos no ecrã, um boss, quatro armadilhas e muito pouca paciência.

Penny Punching Princess
Penny Punching PrincessPenny Punching Princess
07 Gamereactor Portugal
7 / 10
+
Subornar os inimigos e as armadilhas e usá-los é divertido e dá variedade, ação intensa e caótica, diferentes tipos de inimigos, progressão cativante.
-
Controlos trapalhões que se tornam difíceis de usar quando a ação se intensifica, as personagens são um pouco insípidas.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor

Textos relacionados



A carregar o conteúdo seguinte


Cookie

O Gamereactor utiliza cookies para assegurar que lhe proporciona a melhor experiência possível no nosso site. Se continuar, vamos presumir que está satisfeito com a nossa política relativa a cookies.